Pular para o conteúdo principal
"E a dor tem sempre caminhos mais longos." (CECÍLIA MEIRELES)

*****

"Mas a Alegria também os tem muito longos e duráveis." DMC

UM COPO DE CÉU: DE SABARÁ PARA O MUNDO.


O dia 22 de novembro, resolvi passá-lo em Sabará - aonde eu não ia havia tempos. E foi assim que logo bem cedinho embarquei para o Sabarabuçu (o Eldorado procurado pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, em 1674), ou Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará (lembrei-me do livro do José Saramago: Todos os Nomes).

Revisitando quase todos os locais onde julgo pertinente ir quando se vai a uma cidade como aquela, tendo em mente sempre a quantidade de esperanças e de sofrimentos atrozes, de conluios, de sexo, comidas e bebidas e, sem dúvida, de envenenamentos, de simulacros de toda espécie, finquei pé numa bodega e retirei dos ombros e das pernas algum cansaço, e logo logo eu parecia ser algum sabarense que apenas estivera temporáriamente ausente.

Ouro e diamantes faiscando na manhã, cicio de malvadezas nos meus poros: miçangas de puro ouro e diamantes no cangote e no colo das negrinhas (Onde se viu isso ? Em que lugar do mundo tanta fartura e intimidade tanta com os metais da loucura e as pedras da desrazão ?)

Pois bem. Lá pelas tantas da manhã já alta, fui de visita a um velho amigo, amizade assim de séculos (éramos garotinhos garotinhos... hehe), e logo que entrei no bar onde ele cede grande parte de sua generosidade aos que entram e aos que passam em frente, veio de lá de dentro um som que era o meu nome. Em casa estava eu, com o velho amigo João Bomba – muito querido, respeitado e conhecido na ‘vila’ do Sabará, MG, Brasil. Brazil.

Apaixonadíssimo por futebol - entendedor, como poucos -, foi ótimo treinador de equipes juvenis, tendo ainda trabalhado na ADEMG (Mineirão). Pescaria também é, sim, uma conversa gostosa. Y otras cositas más. Apresentou-me a alguns de seus amigos e conterrâneos, e lá vive ele com a sua família - que conheci, menos a filha, que estava na faculdade.

A conversa não ficou restrita ao Futuro, não. Falamos, como seria de se esperar entre duas sumidades... hehe, dos velhos tempos e de tempos mais recentes, entre uma lourinha e uma branquinha. O dia não estaria completo sem música ao vivo. Providenciado um belo violão, entramos no delírio da MPB, todos drogados com Cartola, João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Jobim... e por aí vai.

Tendo passado por muitos climas bons e ruins, sempre soube eu avaliar bem o teor de uma real ou verdadeira amizade – aquela amizade para toda hora, mesmo ! E o João Bomba continua com isso. Penso já em propor ao Povão, que ergamos um monumento a esta figura sempre sorridente, satírico, duro... se necessário, uma beleza de pessoa.

Tive, sim, um ótimo aniversário. Longa vida ao João.

DMC

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha