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arte: FÁBIO SILVA - Belo Horizonte, MG, Brasil



AUSTRAL


Longe do sul, os timbres diferem, parecem passos
numa trama sinistra, talvez
não, é que a gente pode se enganar, às vezes, é certo
haver coisas lindas longe da tampa
austral, feiuras com sombras maiores
do que uma noite de punhais. Longe do sul
pareceram-lhe álacres as ondas
do mar, não tanto as ondas humanas tropeçando em favores
nunca cometidos, mergulhando
num palco escorregadio, sim, viajar para longe
do sul valeu-lhe saber de fato onde fica
o norte, bem como o leste e o oeste no seu perceber
austral.


Texto e foto: DMC

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha