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FERNANDO BOTERO
(Colômbia)























ANIVERSÁRIO DO TÍMIDO


O tímido é trabalhador
de fazer boa construção
ao bordejar a sintaxe do amor
como se o abraçasse uma jibóia,
e assim vai bordejando o amor
como quem vai para longe
ou como quem vem de longe,
o tímido canta lígia e carolina,
solfeja por ana e por outras,
e se esborracha na rua
ou na praça onde a banda
apresenta-se à cidade
submersa, ou imersa em sonhos
(sempre legítimos são eles).
No bojo da cidade vai o trem,
o subúrbio é flecha longa,
e o tímido tem uma namorada
lá, e noutros lugares distantes,
de onde tira tijolos para a construção
do retrato em preto e branco
de todo cotidiano cheio de sal
e sol, de carne de sol na feira,
porque a cidade tem de tudo o que
os introvertidos e os extrovertidos
necessitam para as fissuras
de suas armaduras,
e não há nada de paradoxal
em sentir o que não se vê,
e assim é que o tímido vê o mundo,
mas de outro modo é que o vê o extrovertido.


Texto: Darlan M Cunha   /   Arte: Fernando Botero

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calmaria

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<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha