Pular para o conteúdo principal
Музей Swarovski .Museu Swarovski


MERCADO DE PULGAS


Ali, uma boneca de trapos, talvez ainda com odores de onde veio, a chama de quem com ela se deitou. Ir à boca e ao estômago do domingo, às lesões do mercado de pulgas, lugar de sorrisos sobre o esmaecido de uma pintura e o fosco de uma peça de metal. É minha, levo essa, mas quero desconto. De pechinchas viver, mas será que estamos mesmo nos condenando cada vez mais e mais a colecionar ecos do Nada, ruínas ? Em frente, que atrás vem gente. Gostei dessa cadeira de vime, deixe-me olhá-la mais de perto. Alguma infância nela está, alguma velhice. Mas que beleza de instrumento. Meu avô materno tocava. Era alfaiate, e aqui tem muita roupa dos tempos antigos e novos, e até de épocas e feitios difíceis de se datar. Pulgas e pulgos. Um estojo de laca com borboleta desenhada na tampa, para jóias, lembranças e olvidos. Cardiopatia e fatias de gordura com sorrisos. Quem liga para a morte, em plena felicidade ? Vou levar, embrulhe.

Texto: Darlan M Cunha  /  Foto: Marina Kryuchina
http://fotki.yandex.ru/calendar/users/marina-kryuchina/view/426745/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  
foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...