Pular para o conteúdo principal
WHERE THE CRITICS LIKE TO BE.










OS ATIVISTAS


Assentada no meu colo
a hipocrisia

faz total zoeira na insônia dos outros, de outro mundo ela é
e ajeita-se comigo (igual e diferente a barlavento,
nosso barco não encomenda mitologias, mas faz com que subam
a bordo, espontâneamente, ou não, os peixes
), assim

sentada no meu solo
de clarineta, ela, a detenta
de si, a hipocrisia

gira os traços sempre rumo ao além-lá
do que podem os homens comuns que com ela querem
safar-se deste cotidiano desgraçado (o deles, não o nosso),
e assim reescutamos o palhaço, de egberto gismonti,
e novamente reencetamos o andar e refazemos a lona
do nosso inigualável circo cheio de feras-só-feras-ferazes
e ferinas, palavras, sim

engarranchada no meu dorso
a hipocrisia

vaza constituintes e núcleos evangélicos, de outros mundos ela faz
gírias e bordados de risco, questão de peso & medida, ela
me morde a língua e me causa pirexia (sabem como
é, né ?
) enquanto a caravana ladra
e passa por passar, sim

assimilada pelo meu pescoço
a hipocrisia

faz xixi e aderna e come outra fruta plantada por nós, e o povo
se ajeita com a sua mísera baba-tara (a deles)
enquanto novamente ela sobe no meu pescoço de bicho
ardido de risos, todo esmolambado por tanta gravata
que só ela sabe

confeccionar, e que eu sei
usar... e assim se conta essa história entre eu e
ela, a hipocrisia, deitada sobre e dentro de mim – seu criado e criador.

(DMC)

Comentários

  1. Darlan, segui seu endereço pela Minguante. Gostaria de te convidar para um evento de minicontos, caso seja possível vir ao Rio. Será em junho. Se puder, me envia seu e-mail para este fim?
    Grata, Angela. aschnoor@superig.com.br

    ResponderExcluir
  2. Prezada ÂNGELA,

    fico-lhe grato pela deferência em me convidar para um evento digno, tão importante.
    Ainda é cedo para que saiba se será possível a minha ida ao Rio, em junho. De todo modo,envio-lhe o correio:
    darlanmc@yahoo.com.br
    ***

    Apareça.
    Darlan

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Bem-vindo, Bem-vinda // Welcome // Bienvenido

Postagens mais visitadas deste blog

FLORES SÉSSEIS, VIDROS E ÁGUAS: CONSTELAÇÃO DE OSSOS 1. O ENCANTAMENTO PELOS MATERIAIS Vidros e águas se entendem, agarram-se uns aos outros como um pensamento bom atrai outro de sua estirpe, como as pedrinhas de um caleidoscópio fazem umas com as outras, ou seja, abraçam-se e soltam-se num emaranhado nunca igual, mas sempre com o intuito de união, sua sina sendo a de viverem unidas, mantendo a própria identidade – o que é cada vez mais difícil, mais improvável entre os humanos. Águas e vidros: água doce e vidro plano, água salgada e vidro temperado, água suja e vidro opaco, água limpa de bica e vidro colorido  de igrejas e bordéis, sim, de tudo se faz canção e caução, e o coração na curva de um fio d’água estalando gotículas nas costas dos lagartos (agora tu sabes a razão do sorriso do lagarto, uma delas), úvula e cio, nonada , tiros que o senhor ouviu... , o rio cheio de mormaço, espelho d’água é a sensação de um rio calmo calmo calmo, tu vais com ele, entras n...
foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...
 mudança * De repente, de modo suave, você se lembra de quando chegou à cidade grande para continuar a estudar, depois veio o Exército, o emprego federal, mochila e violão nas costas, enfim, uma infinidade de erros, de riscos e risos, o amor que rói os tigres, de acordo com um livro cubano, se não me falha a memória com centenas de livros, se não milhares, sim, de repente, você pensa nas pessoas mudando de casa e de cidade, de postura perante a vida (uma luta difícil); quando se muda de casa, vai com a gente uma dupla sensação: de alívio, e de peso pelo que se viveu, a visão a partir da janela, tiques de vizinhos, uma praça e uma pessoa amiga com a qual foi possível conversa de gente grande. Neste momento, pessoas estão carregando ou descarregando móveis, apreensão e entusiasmo, que a vida é breve. *** Darlan M Cunha