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ANESTESIA SOCIAL, COMA GERAL, O CRIME COMO CATARSE

Há tempos, todos estão sob um sopor enorme, anestesiados, presos a tanta pequenez que é difícil projetar o quão mais fundo no lodaçal se poderá ir, pois tudo é pressa de ganho, pavor de perder o relógio (mas não o Tempo), e me lembro do compositor dizendo que “meu tempo é hoje”.

Mortes violentas, pavorosas, são parte e totalidade do cotidiano geral, pois a cidade é suicidade, monstrópole, campo de tiro ao alvo, fuga e refugo laboratoriais, palco das nuanças mais díspares sabendo a morte. Levantado do chão não há como ser, se morta a esperança.




Quando se joga alguém de um prédio, corrobora-se qual sistema: o límbico ? o econômico ? o sistema nervoso central que chegou ao limite ? O que cai de um prédio, junto com alguém: a mísera fé judaico-cristã ? a pífia arquitontura muçulmana ? o idioma putrefato da psicologia clínica ? os fios e tramas dos modistas ? Pode-se comprar testemunhos falsos numa feira qualquer, mas o que há no acervo teu, no do outro, no geral, que ainda não se tenha visto ?

Humano demasiado inumano.
(DMC)
***
Arte: CHEN SHAOMA, China, 1972

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calmaria

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  
foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...