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JUNHO


O sexto mês entra na estrada
do ano, descendo do sono para pôr
a sua mesa o sexto mês do ano,
e no meio dessa rede haverá peixes
ou pássaros a serem capturados
na forma de correspondências
sob a porta, o costume das festas
juninas, alguém pedirá alguém
em sacramento, alguém pedirá
divórcio, e alguém viajará para
nunca mais; já é junho, as costas
de maio ainda estão quentes sobre
as pessoas, mas já se afasta, como
é natural, junho já caminha real,
mesmo de madrugada houve quem
o recebeu de pé, o interior do país
dorme, é dia noutra latitude
noutras longitudes o pavor e o amor
qualificam e desqualificam os seres,
sim, junho veio para ficar durante
trinta dias - a vida útil dessa planta
da qual é natural esperar colher
todos os dias o néctar revigorado.
É junho, flores estalam, e o primeiro
café do mês já está gritando.


Poema: Darlan M Cunha
Photo (from here): http://www.lowbird.com

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Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha