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FOGUEIRA


viu uma fogueira em cada porta
de um lugar do qual não se lembra,
madeiras e ossos estalando,
porque delícia pouca é besteira,
porque inferno pouco é bobagem,
o fogo é a estalagem na qual
aqueces a comida, vai contigo
à montanha, recobre de cinzas
tuas pegadas, sim, o viajante viu
fogueiras em cada rua, o rosto e
a bunda da dúvida, o bafo da carne
rasgada e bem temperada, sete
goles de sorrisos com limão
e gengibre, crianças com varas
de marmelo nas mãos, correndo
atrás do próprio riso, correndo
atrás dos pais, de avôs e avós,
ó, a vida é um caracol, espiral
que não se pode desprezar,  
caro amigo, se nenhum de nós
tem ninguém em quem confiar;
então, confiemos em nós mesmos,
pactuemos entre nós mesmos



Poema: DMC
Imagem // Image: (?)

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Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha