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SOLILÓQUIO


Acho que vou morrer em casa, mas nunca se sabe, quase nunca. Os suicidas sabem. Só eles detêm esta sapiência, este deboche supremo contra o meio, o garrote vil social. Só eles. Não recomendo. Não vou em contra. Eu mesmo me vi morto, inúmeras vezes me vi morto: morto estive no quarto só meu, morto estive viajando de trem, morto estive, assentado num parque, matutando desesperadamente a ver como conseguir algo para mitigar meus vícios, nenhum deles reconhecido, nenhum deles com a sopeira cheia, o bolso de armazém. Eu quis, sim, matar pulgas e piolhos em mim, de modo absolutamente não convencional, nunca antes feito, mas me esqueci de como é, após anos de pesquisa severa, ultra secreta, particular. Esqueci-me por completo, e isso é coisa do Inconsciente, que quer me ter  por perto, sempre subjugado a ele.


Texto e foto: Darlan M Cunha

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha