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ENTRA DE VEZ NO VOO... E FICA.














PEGAR UMA COISA


Tenho aqui na minha mesa a parte mais

nobre, numa escultura, a cabeça

de um homem de olhar hirsuto,

seu côncavo pensamento

saindo pelas mãos que não aparecem

neste trabalho, e fico olhando e pensando sobre

com quanta estirpe se faz e se desfaz

um nome, ou não: o Homem não resiste

ao que o nome aceita.

Tenho aqui mais que um ponto de interrogação

e algumas contas, mensagens antigas

e novas civilizações sobre

mim, tementes, perguntando pelo futuro.


Poema e foto: DMC

Escultura: Amílcar de Castro (Av. Brasil, Belo Horizonte)

Comentários

  1. "Tenho aqui mais que um ponto de interrogação e algumas contas, mensagens antigas e novas civilizações sobre mim, tementes, perguntando pelo futuro."

    difícil é quando todas essas coisas somem. juntas. de uma vez só.

    (muito bom poema!)

    ResponderExcluir
  2. Sem dúvida, MARIANA... se nos acontece tantas disparidades, tanto peso ao mesmo tempo, a estabilidade psíquica corre perigo. Este foi / é o intito deste poema: o de alertar sobre o desgaste cotidianao que, muitas vezes, nem percebemos.

    Obrigado pela visita. Beijo e abraço.
    Darlan

    ResponderExcluir

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha