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VARANDAS, VIANDAS, O SOL NAS ENTRANHAS



Cinco anos pesam mais na mulher, pesam muito, às vezes, de tal maneira a fazer com que uma simples ida ao mercado ou levar um filho à escola se torne quase um suplício cotidiário. E assim se passaram dez anos - diz a canção- sem eu ver seu rosto. Nem mesmo a índole pagã dos chamados tempos modernos pôs na mulher o diapasão que lhe contente, mesmo de longe. E lutam, correm atrás (ainda), glosam os coleios dos jumentos, deploram e retiram anéis e sutiãs... embora ainda consintam perder o nome original, uma vez casadas.

Sentem o mormaço ao longe, o fracasso. Já se disse que 'toda existência é um fracasso", mas as mulheres não crêem nisso, e assim se levam para além-lá do compreensível a quem, depois do bilhar ou do futebol, não se satisfaz com quase mais nada, a não ser com duas mãos bobas.

Na China, mulheres não tinham direito a um nome, e há pouco tempo isso ainda acontecia, e, em verdade vos digo, ainda acontece: esposa n° 1, esposa n° 2...

Há mãos demais para o desamor ? O que fazer com uma mulher que desobedece ? Ater-se só à ação de flores sésseis e frutos já sem noção alguma de sua gênese, de sua vontade ? A psicologia usa um termo para designar a vontade consciente para agir: volição.

dmc

Duo

Porque nada cresceu aqui
entre largos intervalos
de um silêncio
com sombras
eu me procuro algures
em ti, em mim
repasso o quase folclore
à porta cheia de flores
já sem cores conhecidas
de ninguém, sim, porque nada medrou aqui
entre anchos intervalos
de alegria
sem sombra alguma, é que a pergunta
ressoa, reboa, enquanto nos damos
de olhos vazados à outra
tentativa.

dmc

Comentários

  1. Sabe que aqui em Quebec as mulheres não mudam de nome depois de casadas. Se quiserem, tem que pedir pra mudar. Acho muito justo.
    Essa das mulheres da China eu não sabia... lamentável, hein?

    O que fazer com uma mulher que desobedece? Desobedece no ponto de vista de quem? Num intendi...

    Gostei da casa com varanda!
    abs!

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha