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Meu avô materno DINO, filhas, filho, genro e neto.

AVÔ



O avô cavava sem delongas o campo
em redor da casa, lascas de impropérios
vez que outra chegavam junto com tomates
e mandiocas, couves que aos seus olhos
não parecessem couves. 

Disso me lembro, daquele encantamento 
pelas verduras e legumes, mas com 
atração maior por aqueles palavrões 
que, se assustavam e faziam rir a vizinhança,
também eram sinais do seu gosto
pelo labor no barro, porque algo assim
um alfaiete da terra ele era, cortando-a
de modo impecável, pondo-lhe medidas
que a um rei dariam rendas e prendas.

O avô me pegava de vez em quando, cheio
de rigores, mantinha sob essa capa
um vinhedo de tinto
inigualável, e lá íamos nós, sujos apenas
de nós mesmos, encantar fadas e bruxas
e abater moinhos maus e outros gigantes.


Foto da Família.
Poema: Darlan M Cunha
*****


Poema: SEAMUS HEANEY (Irlanda), Prêmio NOBEL DE LITERATURA

Cavar (Digging)
Entre o dedo e o dedão a caneta
Parruda pousa; como arma pega.
Sob minha janela, um som raspante e claro
Quando a pá penetra a crosta de cascalho:
Meu pai, cavando. Olho para baixo.
Até seu dorso reteso entre os canteiros
Encurvar-se, brotarem vinte anos atrás
Dobrando-se em cadência nos batatais
Onde estava cavando.

Alçado contra o joelho interno com firmeza.
Ele extirpava talos altos, fincava o fio luzidio
Para espalhar batatas novas que colhíamos
Adorando a fresca dureza nas mãos.
Por Deus, o velho sabia usar uma pá.
Tal qual o velho dele.
Meu avô cortou mais turfa num dia
Do que qualquer outro homem no pântano de Toner.
Uma vez levei leite numa garrafa
Mal rolhada com papel. Ele aprumou-se
Para bebê-lo, e em seguida pôs-se a
Talhar e fatiar com precisão, lançando
Torrões nos ombros, indo mais embaixo atrás
Da turfa boa. Cavando.
O cheiro frio de barro de batata, o chape e o trape
De turfa empapada, os curtos cortes de um fio
Nas raízes vivas despertam em minha cabeça.
Mas pá não tenho para seguir homens como eles.
Entre o dedo e o dedão a caneta
Parruda pousa.
Vou cavar com ela.

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