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FRUTÁLICA


Assim como o calor amolece as frutas
sobre a mesa, cala fundo no morador a modéstia
do silêncio que nunca grita
por ali, se sem razão alguma 
se acha; e assim como o clima atordoa as pessoas
em seu mister, fazem furos na paciência do morador
certos atritos do mundo.


Frente à casa e talvez frente a si mesmo
rumo ao mar, um homem sozinho
conversa, sobe
noutra fatia do tempo, continuando
monólogo do qual se sobressai a inutilidade
de cada palavra caindo feito lenho
                                                               à sombra do mundo. 



Foto: Filip Dujardin
Poema: Darlan M Cunha                                                                      

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha