Pular para o conteúdo principal
Matriz da cidade de Lauro de Freitas - no entorno da grande Salvador, BA, Brasil.


AEIOUAR


Rosas e espinhos estalam no dorso azul e amarelo
do dia. É tarde no mundo, é cedo no mundo, mas
cansaço é bobagem, e assim aroeira e peroba falam
disso; entre si, homens se cumprem
cercando mulheres e babando na chita - quinhão natural
deles, dizem, afoitos por mais veredas abrirem,
que o sertão da vida alarga-se cada vez
que se dá passo para longe do lombo da mula; mas, ao
longe, outras bestas esperam nas esquinas de todas 
as cidades
do mundo, refestelando-se nas pontas de um cabresto
sex machine, judeus e muçulmanos
ocupados em seccionar pinto de bebês, enquanto éguas  e
vacas e cabritas parem sobre rosas e espinhos, sempre
as vísceras da manhã apascentando bichos
humanos, antes que o diabo entre de vez no meio do redemoinho.


Poema e foto: Darlan M Cunha

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha