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sabão de cinzas


O RIO


Ao largo dele, gente oca raspa a alma dos seus solstícios 
no solo da cidade, até virarem pó os homens e as mulheres
e o chão no qual todos pisam 

ou se arrastam.
Ao largo de falas, virtudes e som de motos, a serpe

corrói os minerais do seu leito, vai
cobrindo moças que lhe entram 
e deixam marcas de crescimento nas lâminas prateadas
e douradas dos peixes, sempre
no imaginário de homens, bichos e plantas 
a serpente líquida, espelho no qual tantos e tantas saltaram

para o Nunca;

e assim perfazem a glória do rio
galhos e gomos, raízes robustas e frágeis de um solo conturbado,
os frutos do mundo psíquico de cada um procuram-no
com ânsia de bebês por mamilos.


Foto e poema: Darlan M Cunha

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha