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Nova Lima, MG, Brasil




NOVEMBRO



Eis o rosto de novembro, rosto urbano
com boas e más interrogações, é natural  
se ter em conta que nenhum dia tem
sósia, nenhum homem se perpetua de todo
noutro, gêmeos diferem, e assim é que,
se te lembras do último novembro,
talvez ainda sintas algo da febre boa
e dos maus sintomas que porventura visitaram-te;
lembra que o inconsciente é de guardar
nas respectivas gavetas
as indumentárias vestidas por ti, portanto,
cuida de varrer para fora do tapete
o evangelho segundo tu mesma, cuida
que a trepadeira cubra o muro, não a paisagem
que daí ainda tenhas, novembro é de dias
com lágrimas de nuvens, ah, lembra dos acordes
da acupuntura social no teu corpo
e na tua mente, lembra, corpo, lembra
memória, que já é novembro.


Foto e texto: Darlan M Cunha

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Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha