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ABRIL DOIDO


Em abril, a Idéia se dobra e se desdobra sobre o tempo perdido,
cruzando colinas e riachos, saturada de sol
e sal, ajeita o gorro, reenche o cachimbo e põe fogo na mata
da imaginação, e logo saltam do forno imaginário
os primeiros assados, estalos de colheita
só possível em abril, espremida entre as águas
de março e a própria incógnita
de como entregar a maio os ossos ainda quentes, talvez não inteiros,
do seu ofício, sua herança que, em abril, já se atrasa no riso,
malha seus riscos.


Poema: Darlan M Cunha
Imagem trazida do site MUSEU DA PESSOA

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha