
De quanta cena se faz o futuro, e de massa o passado.
NOVEMBRO
Está vivo, começa hoje e nada
promete, senão irromper diferente de outros
idos, trívio, cada vez menos
per capita
se faz este antecessor de dezembro, indo
comigo penetrar no que se deve
manter vivo, e nada
de restaurações ambíguas nem de dedos
amarrados à solércia de um risco
calculado, como se faz hoje
com tudo, ora
melhor deixar pranchetas aos arquitetos
de pontes concretas e férreas, o ferraço
ao qual se refere o poema
é de outra estirpe, não um naipe sobre a mesa
verde (Achtung: Die Grüne Tisch), não, nada
será como se deseja: nem a salada de legumes
nem a de imigrantes, o amanhã
vai tropeçar em você, vai
conservar fevereiro pensando nas colunas
senão nas lacunas a se evitar
em novembro. Novembro.
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(DMC - 01-11-2006, 06:25h). Foto: Darlan.
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Não é um insulto. Eu digo o que penso, já não me importa ficar bem com as pessoas. Para que vou ficar bem com você ? O que é que pode me dar ? Não pode me devolver a saúde, e isso é o que me importaria. [...]
A moça esticou a mão e apanhou um pano destinado ao asseio pessoal, com ele vendou-se os olhos. O doente a beijou no rosto ternamente e se colocou sobre ela, sem interromper sua oração muda, "O médico me havia dito que se tratava de uma criatura excepcional, mas era-me difícil acreditar. Agora está diante de meus olhos e torno a pensar que Deus me trouxe ao mundo para gozar de deleites supremos. Este momento que estou vivendo, junto à criatura mais bela do mundo e símbolo de tudo o que é desejável, justifica todas as penúrias e dissabores que marcaram minha existência."
MANUEL PUIG. Púbis Angelical.
Muito bom, o poema, Darlan. Muito bom!
ResponderExcluirÉ isso aí, caro Marconi. Penso que este poema transmite otimismo.
ResponderExcluirUm abraço.
Darlan.