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De quanta cena se faz o futuro, e de massa o passado.











NOVEMBRO


Está vivo, começa hoje e nada
promete, senão irromper diferente de outros
idos, trívio, cada vez menos
per capita
se faz este antecessor de dezembro, indo
comigo penetrar no que se deve

manter vivo, e nada
de restaurações ambíguas nem de dedos
amarrados à solércia de um risco
calculado, como se faz hoje
com tudo, ora

melhor deixar pranchetas aos arquitetos
de pontes concretas e férreas, o ferraço
ao qual se refere o poema
é de outra estirpe, não um naipe sobre a mesa
verde (Achtung: Die Grüne Tisch), não, nada

será como se deseja: nem a salada de legumes
nem a de imigrantes, o amanhã
vai tropeçar em você, vai
conservar fevereiro pensando nas colunas
senão nas lacunas a se evitar

em novembro. Novembro.

******
(DMC - 01-11-2006, 06:25h)
. Foto: Darlan.
******

Tem razão, interessa, faz alguns meses que comecei a suspeitar que interessa mais do que eu pensava. Mas, não me fustigue. A herança é um resultado, um finale. A política se exerce por opções, é o mesmo que quando a gente vota, temos que eleger entre o que há. Me aconteceu o mesmo, e em diferente plano também me fiz as perguntas que você me faz. Até posso confessar que não as tenho completamente respondidas. [...]

Não é um insulto. Eu digo o que penso, já não me importa ficar bem com as pessoas. Para que vou ficar bem com você ? O que é que pode me dar ? Não pode me devolver a saúde, e isso é o que me importaria. [...]

A moça esticou a mão e apanhou um pano destinado ao asseio pessoal, com ele vendou-se os olhos. O doente a beijou no rosto ternamente e se colocou sobre ela, sem interromper sua oração muda, "O médico me havia dito que se tratava de uma criatura excepcional, mas era-me difícil acreditar. Agora está diante de meus olhos e torno a pensar que Deus me trouxe ao mundo para gozar de deleites supremos. Este momento que estou vivendo, junto à criatura mais bela do mundo e símbolo de tudo o que é desejável, justifica todas as penúrias e dissabores que marcaram minha existência."
MANUEL PUIG. Púbis Angelical.

Comentários

  1. Muito bom, o poema, Darlan. Muito bom!

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  2. É isso aí, caro Marconi. Penso que este poema transmite otimismo.
    Um abraço.
    Darlan.

    ResponderExcluir

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha