Pular para o conteúdo principal

De se ver de quantos riscos é feito até mesmo o passado









THESE KINDS OF THINGS HAVE HAPPENED SEVERAL TIMES

Entre corpo e espera, há
síndrome de abstinência
e sintomas de extorsão
pelo Tempo, sim, entre
a fuga da moeda e o tom
sépia da pintura, a dívida
não sacia o arbítrio,
entre o provar e o ater-se
à loucura de uma só pessoa,
velódromos e viadutos,
máscaras e tensores psíquicos
são construídos, cascas
de banana cumprem o alentado
papel, sim, esse tipo
de coisas acontece muitas
vezes entre os entediados,
mas tu e eu temos conosco
que a cidade é real, mas
espera o nosso sonho.
(DMC)
******
Tenho a honra e o prazer de informar a quantos e quantas aqui vierem, que um texto meu foi selecionado e publicado no nº 2 (outubro 2006) da prestigiosa e prestigiada Revista Minguante, de Portugal. Caso disponham de algum tempo, por favor, a casa é de vocês, e o texto também. Grato. O endereço: http://www.minguante.com/?textos=darlan_cunha
******
Monti acelerou ainda mais a marcha, mas Agustina seguia-o de perto; seu rosto agora estava pálido pelo esforço, o suor escorria da aba do quepe pesado, até o pano do casaco, nas costas, ficara encharcado, mas ele não dizia nada nem ficava para trás. Já haviam penetrado entre os penhascos, horrendas paredes cinzentas erguiam-se a pique ao redor, o vale parecia subir a altitudes inconcebíveis. Desapareciam os aspectos da vida rotineira para dar lugar à imóvel desolação da montanha. Fascinado, Agustina de vez em quando erguia os olhos até as cristas oscilantes acima deles [...]

Mas agora não acontecia mais nada disso. Agora ele havia cumprimentado a mãe como antigamente, com a mesma inflexão de voz, certo de que com o ruído familiar de seus passos ele teria acordado. Pelo contrário, ninguém lhe respondera, além do rodar da longínqua carruagem. Uma besteira, pensou, uma ridícula coincidência, podia mesmo acontecer. No entanto restava-lhe, enquanto se dispunha a deitar na cama, uma impressão amarga, como se o afeto de outrora tivesse sido embaciado, como se entre ambos o tempo e a distância tivessem lentamente estendido um véu de separação.
DINO BUZZATI. O Deserto Dos Tártaros.
******
Recomendo:
MINGUANTE
BOSQUE DE BAMBU
******
Foto: DMC

Comentários

  1. Olá, Darlan!

    Cara, que boa noticia!!...parabens!!...bom voto no domingo!

    Um abraço

    ResponderExcluir
  2. Obrigado, Sérgio

    pelo incentivo, pelas visitas sempre agradáveis. Fiquei mesmo muito contente com a publicação do texto na MINGUNATE.
    Um abraço.
    Darlan.

    ResponderExcluir
  3. ....Pois, é, imagine voce nesse universo...não é pra qualqeur um...é de se orgulhar.

    Um abraço e bom voto

    ResponderExcluir
  4. VALÉRIA,
    Melhor do que isso (as tuas palavras), só mesmo beijo de mãe.
    Um abraço. Obrigado.
    Darlan.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Bem-vindo, Bem-vinda // Welcome // Bienvenido

Postagens mais visitadas deste blog

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  
foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...