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ARTE SÃ
(um leve toque de barro nas faces, o ângulo mais propício a rumores de água burilando sementes...)


FÁTIMA LIMA , artesã das Mandalas (Conselheiro Lafaiete, MG)
Antes que o Dia fosse dividido em horas, que se tornariam religião para os mais diversos povos, a força determinante daquilo a que chamamos Arte já interpelava e se intrometia na mente e nas mãos do Homem.

E assim nos servimos de sua tara, de seu rancor, de seu encantamento por nós, sim, porque, de verdade, a arte é alheia ao que queremos ou não queremos, intuindo, batendo firme na dúvida. Lembra: a Humanidade só acata, de fato, as ordens da Dor, e esta só se alivia melhor uma vez mesclada à infinita algazarra da arte.

Pois o artista -pobre diabo infiltrado até mesmo onde não cabe nenhum suspiro- teima, reteima. Senão vejamos o que nos dizem estas maravilhosamente teimosas artesãs Fátima Lima (Rio Branco, AC), xará daquela artesã de Minas Gerais, que deu origem a esta postagem, e Antônia Freire Barbosa (40, Rio Branco, AC):

“Minha arte é o crochê, desde que tinha oito anos comecei a trabalhar com isso e nunca mais parei, faço outras coisas quando me pedem, mas gosto mesmo do crochê com o qual faço desde um enfeite de cabelo, até caminhos de mesa ou revestimentos para um sofá inteiro, agora mesmo terminei de decorar todo o consultório de um dentista".

"Gosto muito de fazer crochê, mas também faço vagonite, ponto cruz, reciclagem de papel, pet, enfim, quando não estou cuidando da casa faço qualquer tipo de trabalho manual e vendo tudo. A gente precisa ser produtiva”.


É isso aí. A artista Fátima Lima -a de MG- trabalha com sementes de café, girassol, algodão, orelha-de-elefante, enfim, com mais de 40 tipos de sementes da flora brasileira, dedicando-se ao estudo e à feitura de Mandalas -essa arte milenar dos indianos, extensão de sua fé. Um espanto. Longa vida a ela.

A arte não nos salvará, mas a dor (escrevi sobre isso), a dor morará nos museus.
***
MAIS FÁTIMA LIMA (MG) AQUI. A respeito das outras duas artesãs, clique AQUI.

***

TRAÇOS

Quando a caravana pára, irmão
limpo das coisas, linda
irmã dos gêneros, às vezes,
não o faz por vontade própria
ou costume,

mas vejam: não há quase nada
capaz de inverter o umbigo
da Causa, sim, a caravana pára
porque é frágil a criatura
que desce

da camela, de areia
a própria noção
que no coração
de homens e mulheres
ascende e mantém o caminho

iluminado.

DMC

Comentários

  1. Adoro artesanato!
    :)
    Vou dar uma passeada nos links.
    bjs
    zana

    ResponderExcluir
  2. Agora que vi o video da Fátima Lima e suas mandalas!! Que coisa mais linda! Lindo demais o trabalho dela, impressionante!! O que é a criatividade!
    Adorei!!
    bjs
    Zana

    ResponderExcluir

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