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O OLHAR DA LIBÉLULA








Todos saíram. O silêncio ouve-se, vibra como um eco final, talvez não seja mais que o bater distante das ondas nos penhascos, é sempre a melhor explicação, até dentro dos búzios a lembrança interminável das vagas ressoa, porém não é este o caso, aqui o que se ouve é o silêncio, ninguém deveria morrer anes de conhecê-lo, o silêncio, ouviste-o, podes ir, já sabes como é.

JOSÉ SARAMAGO
. A Jangada de Pedra.
***

FACA DE ENE GUMES

Seus próprios poros olhando
de soslaio, de dentro para mais dentro,
como se desconfiados do salário imposto
pela vida, pelos descontos nunca a contento,
seus olhos na pele do dia subindo e descendo
muros, o dia: salteador, amante funesto, mãe
e pai de jejuns e farturas, e então começou
a se perguntar se a realidade de alguém
imita ou limita os seus sonhos, se é capaz
de juntar-se a outra das inúmeras metades
soltas no mundo, sem que isso lhe custe
os olhos de ver, as mãos de pegar,
o coração de onde partir para a sabedoria
de alguma renúncia total.

dmc
*
Construção T téia (fios metálicos): Lygia Pape

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calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  
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