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by Pawel Kuczynski


       É um fato a dependência dos filhos, seu longo caminho até a idade adulta práticamente não encontra paralelo noutros animais. O que há, ou parece haver, é que cresce cada vez mais o estranhamento ao conceito família, destruída por uma série de vetores que construíram a sociedade atual, que tanto dá quanto cerra portas num átimo. Ter é o verbo, e a pressa substituiu todos os altares, todos os deuses e deusas jogados num canto qualquer, formigas e teias de aranha em suas bocas, pois a pressa é a sina – nada acontece sem ela, sem o aval dela. E assim as pessoas enlouquecem, sorrindo, dirigindo e falando ao telefone, o ajudante cabal da pressa, esta, sim, a suprema corte social. A família, jogada numa gaveta, membros fraturados, dá seus penúltimos estertores. Penúltimos.

Texto: Darlan M Cunha

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha