Pular para o conteúdo principal
Minha literatura... andando (aqui, num lançamento no "Ponto do Tropeiro", BH, com o grande artista e meu leitor Etinho).


MAIO


É maio, o solo e as paredes da cidade
fumegam com a sua entressafra
de medo e de sementes de alegria
permeando-lhe os primeiros passos,
assim como aconteceu com abril
e com todos os outros meses
e anos, séculos e milênios; maio
veio para trinta e um dias contigo
e comigo, mas muitos não chegarão
ao mês vindouro, isso porque
é mesmo da vida dar lugar à sua
antítese, então, vamos a ele, vamos
fazer história, ao mercado, ampliar
o leque de compras e trocas e vendas,
assimilar novas perspectivas
e dar peso ou mais leveza ao acervo
geral; eis ali uma criança, és tu
novamente; eis ali um ancião
com o teu rosto de depois de amanhã,
vamos a eles e elas, que o tédio
não nos sirva para muita coisa,
embora também ele tenha lá os seus
encantos, como diz uma canção
chinesa (tudo lá tem mil anos e mais),
portanto, ponha-se pé e mãos na estrada,
melhor que se ponha tino na estrada
de areias de ouro que o mês de maio
espera de nós e de quem não sabemos
nada de sua existência... maio de seletas.

Foto e poema: Darlan M Cunha

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha