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Dianho ou diamba sejam os ares, argumenta, argumenta em prol do que vês e, mais, em favor do que sentes, indo ao fundo da ocasião, entrando de compasso ereto, e até de passo trocado ou quebrado, feito bêbado ou  inepto trapezista, só tu podes abrir o encanto e colocar a correr mundo afora o idioma que é teu: sim, tu és o teu fator de equilíbrio e desequilíbrio, lembra dos artelhos e das falanges dos gigantes que ficaram pelo caminho; lembra do crescimento vegetal, suave quase sempre, a não ser que sejas como certas espécies de bambu que crescem muito em muito pouco tempo; e assim é preciso gostar de si, atravessar com cuidados a ponte, procurar saber conviver com as quatro margens do rio, lembrando-se sempre de que o rio é o paradigma maior de tudo, da fluência da vida, pois bem, cuida de penetrar devagar nas quatro margens: a esquerda e a direita, a superfície e o fundo. Estão lá os argumentos que nos são faltos.

Texto: Darlan M Cunha
Obra: Vinte Garrafas Vinte Conteúdos. ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO. Museu do Inconsciente, RJ

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