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FÓSFORO ENXOFRE VENENO PECADO... CERTOS ENTORNOS










ENTORNO


Meu colar é para o dia em que a solidez da solidão esbarrar

nos próprios tropassos, nos próprios destrossos, não é para

qualquer dia, não, talvez eu o solte no dia de reis

ainda que mambembes, falidos ou não,

do pé e da cabeça doentes, não importa, meu calor

tem coisas que nem a mais vã misantropia pode

conceber, creia que

meu calor eu o confeccionei sempre sob as estrias de uma longa

muralha, frio e fome já tinham ficado

para trás entre os meus pequenos desejos

humanos, sim, eu já era mais

que humana


mente, meu ofício de ser fosforescente, de ser enxofre e fósforo

misturou-se ao ofício dos ofídios, venenosos

ou não, liguei-me aos ofídios (mas não ao que as malditas

escrituras vem mentindo há séculos, não, não

me servem muros de lamentações, virilhas rotas de suratas,

não me servem de modo algum, sendo eu

o abcesso fechado, o queijo

melhor curado, o amistoso cafezinho (pra quem ?


pra quem bem o mereça).


Sem mandar recado, sou do pecado

direto, vil rotor e motor, pinto e bordo, cobro caro a minha sina

de mulher, meu salário do medo

ousa dizer algo ao crime, sussurra nos ombros

e nos ovos dele quanto nos óvulos d seu sinônimo,

ou seja, a Cabal Assimetria.


DARLAN M CUNHA

Foto: ANA DIDI (FLICKR)

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha