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FÓSFORO ENXOFRE VENENO PECADO... CERTOS ENTORNOS










ENTORNO


Meu colar é para o dia em que a solidez da solidão esbarrar

nos próprios tropassos, nos próprios destrossos, não é para

qualquer dia, não, talvez eu o solte no dia de reis

ainda que mambembes, falidos ou não,

do pé e da cabeça doentes, não importa, meu calor

tem coisas que nem a mais vã misantropia pode

conceber, creia que

meu calor eu o confeccionei sempre sob as estrias de uma longa

muralha, frio e fome já tinham ficado

para trás entre os meus pequenos desejos

humanos, sim, eu já era mais

que humana


mente, meu ofício de ser fosforescente, de ser enxofre e fósforo

misturou-se ao ofício dos ofídios, venenosos

ou não, liguei-me aos ofídios (mas não ao que as malditas

escrituras vem mentindo há séculos, não, não

me servem muros de lamentações, virilhas rotas de suratas,

não me servem de modo algum, sendo eu

o abcesso fechado, o queijo

melhor curado, o amistoso cafezinho (pra quem ?


pra quem bem o mereça).


Sem mandar recado, sou do pecado

direto, vil rotor e motor, pinto e bordo, cobro caro a minha sina

de mulher, meu salário do medo

ousa dizer algo ao crime, sussurra nos ombros

e nos ovos dele quanto nos óvulos d seu sinônimo,

ou seja, a Cabal Assimetria.


DARLAN M CUNHA

Foto: ANA DIDI (FLICKR)

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calmaria

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  
foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...