Pular para o conteúdo principal
Não verás raiz nenhuma igual a esta.












UNSERE WELT HAT 1000 RÄTSEL


Deita-se as mãos num cotidiano
cada vez mais assimétrico onde
ninguém nunca nada
permite a ninguém conduzir
sozinho seus valores em labirintos
onde trafegam cavalos e homens
assassinados, enigmas (Rätsel)
de um mundo de não se deitar
fora um bolorento não
aos cães à porta, sarnentos
para uns e umas e outros
um rasgado extravio à luz, agravos
por algum elogio à loucura do
homem sem qualidades, atavios
feito uma elucubração atrás
de comida de onde garfar
trajetória que iluda amantes
com a polpa desconhecida do verbo
amar e sua pegajosa lei de confisco
para o qual se perde
odor e peso na cama, no sofá
a vida transmediática progride
e agride outras vinhas, trans-
corre para fora de si pela cisma
e sismo que é levar por sério
o que entre pessoas se faz
costume: deitar no chão do cotidiano
alheio destrossos, jardim
de cinzas, turvos trinômios ou diálogros.


DMC
*: O título do poema foi adaptado do de uma reportagem da Deutsche Welle.
*: Ninguém, Nada, Nunca, romance do argentino Juan José Saer.
*: O Homem Sem Qualidades, romance do austríaco Robert Musil.
* Jardim, Cinzas, romance de Danilo Kis, nascido na ex-Iugoslávia.

Foto: Ian Britton

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

foi uma sensação sem punhos, sem lábios, indício algum de ter existido Quando será que na ocidental sociedade (porque nas outras sociedades, parece, este é um caso perdido, sim, pois nos fazem vê-las, a elas, como casos perdidos. Há sociedades em que as mulheres não têm nem mesmo um nome), repito : quando será que as mulheres não perderão seu nome de solteira após casarem-se - a não ser que o queiram perder, por livre e espontânea vontade, e não pelo arraigado costume de se reconhecer mais esta submissão a que foram e ainda são submetidas perante os homens, costume este que continua roendo-lhes os dias e vazando-lhes as noites ? (DMC) ****** Poema de Astrid Cabral (1936- , Brasil) O FOGO Juntos urdimos a noite mais seu manto de trevas quando as paredes recuam discretas em horizontes de além-cama e num espaço de altiplano rolamos nossos corpos bravios de animais sem coleira e juntos acendemos o dia em cachoeiras de luz com as centelhas que nós seres primitivos forjamos com a pedra las...

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha