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cama de faquir



Homem deitado à maneira faquir
já nem homem é, embora pareça
convidar os transeuntes a vê-lo
de dentro da multidão rondando
feito piorra a ossada estendida
na cama de pregos, feito faca
só lâmina expondo seu dilema,
pois o mundo tem muitas faces
todas elas bem presas a limites
ou a antíteses cujos degraus
mensuram o esforço e a apatia;
e assim há dervixes e faquires
astronautas e ladrões e emires,
porque a cidade é larga e vive
de tributos por encomendar lutos,
pelo que enquanto uma laranja
escorre dos dedos da manhã
a ossada, viva, continua em transe,
alheia ao humo a boca do escárnio,
alheio a fotos o rosto do espasmo, 
ciente de que haverá cama para todos
cedo ou tarde todos serão faquires
e o mago parece sorrir para uma flor
amenizando-lhe o rude travesseiro. 
O visitante afasta-se, mensageiro.



Foto e poema: Darlan M Cunha


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Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha