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Também assim caminha a humanidade

Les samedis littéraires, die neue reise, a bad word: família

Em família numerosa há sempre alguém adoecendo ou morrendo, e todos vocês estão sempre concordando consigo, abrindo acordos mútuos e de mão-única tecidos aos montes pelos veios da mina, acontecendo que cada hora os aproxima de darem comida aos maçaricos e

aluviões, não aos passarinhos e gaviões (uccellacci e uccellini), sempre aberta estando a poltrona onde a criatura espera e regurgita pensamentos dúbios (por aí podes ver a bitola com a qual os humanos te cingem e te excluem: ou és bom e boa, ou és mau e má).

A família existe para adoecer o pão, fermentar e envenenar colheitas, roer as minúcias da fala e cair de borco sobre as sementes, clementes ou cunhas ferazes sejam, ecos de sermão, gordura suína e sangue de cordeiros... quiseras tu passar um tempo entre os Médici, os Bragança, na corte do imperador Qin, numa farrinha-sexo com os diletantes Heliogábalo e Sardanapalo, ora

a família existe para ser familiar aos olhos e aos ovos alheios, acertos e desacertos fazer também desconcertos desde o alto dos morros até a mais funda caverna (o que dá pra rir, dá pra chorar), enfim, o mais bem urdido conchavo, certo ?

Não me canse dizendo coisas que quero ouvir, não me zangue dizendo ossos que não quero novamente quebrar, cercas que não pretendo de novo incinerar, após pulá-las (os dias atuais são uma longa madrugada azul, olorosamente falsa), bem, é tua

a família, fique com ela até o quando existir (cuando ya no importe)*.
DMC

*****

*: alusão ao filme Gaviões e Passarinhos, de Pier Paolo Pasolini.
*: alusão ao livro Cuando Ya No Importe, do uruguaio Juan Carlos Onetti.

Comentários

  1. Vim conhecer seu blog e como achei ele intereçante resolvi deixar um recadinho.
    Espero que não se importe com minha visita sem convite.
    beijoss

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha