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Anatomia solo
de uma inquietude

(604 BC Babylonian year)








UMA NOITE DE QUATRO ANOS

Lembrou-se então que um velho conhecido seu dissera, enquanto iam uma vez mais por aí, que uma viagem de mil li começa com o primeiro passo, embora não se refizesse do baque, não se perdoando pelo fato de não estar naquela praça no momento em que aquela vasta tragédia gritava que tragédia é esta que cai sobre todos nós ?, até ajeitou um pulso no outro e ameaçou quebrá-los um contra um, contra a face mais próxima de outro engano do povo, sim, o povaréu sabe entrever e usar material para durar pelo menos por duas gestações mal sucedidas, sabe a que horas o fluxo e o influxo trocam de guarda, sabe que sua oportunidade tanto está nos coleios do álcool quanto nos meneios das sagradas escritas, nos ombros da estatística quanto nas trevas da lei e no dorso cabal dos novos sistemas imunológicos. Arrefeceu o ânimo, olhando o entorno da praça onde há pouco a multidão vituperava cada vez mais vociferava contra a agonia que chegava para passar uma noite com ela – uma noite de quatro anos.
DMC

******
Poema de
Anthony Burgess (1917-93, Inglaterra)

Beije-me. Se alguma vez o futuro ouvir
falar em nossas grandes afeições, embora talvez
as leis da consciência e da vida civil
nos condenem justamente, quando souberem
dos nossos amores, esse amor eliminará o rigor,
que em outros insetos seria abominável.

******
Recomendo:
Leila Pinheiro. Site Oficial Leila Pinheiro
Le Bizarre. Site Oficial Le Bizarre
Minguante (.pt) Minguante

Comentários

  1. Gostei do poema do Burgess :)
    Vou xeretar os sites que vc recomendou.
    inté +
    :D

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  2. Obrigado, ZANA.
    As visitas são a riqueza.

    ResponderExcluir
  3. Amigo, fico lisonjeada pela indicação, apesar de não ser a autora do site, rsrs, mas o Grupo é demais de importante na minha vida, não apenas por eu ser parte dele...

    Apareça sempre por lá! Tem novidades no álbum de fotos!

    Beijos!

    =]

    ResponderExcluir
  4. NINA, querida,
    vida longa ao Le Bizarre, sempre com mais entusiasmo e, na medida do possível, mais CDs. Beijos.

    ResponderExcluir

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alto & baixo

Barreiro - BELO HORIZONTE, MG * Todos fogem, querem mudança em sua mesmice, novos degraus com textos e tetos, de um modo ou de outro, sentem que a vida é minuto, frutas murcham depressa, animais logo estão cada vez mais sisudos e mal-humorados, e assim chegam às monstrópoles, às suicidades. * Darlan M Cunha  

calmaria

  Uma calmaria aparente dentro da aldeia, sobre ela uma zanga de nuvens - mas não se deve levar nuvens a sério, por inconstantes - sina - e levianas feito dunas e seixos escorrendo e escorregando daqui pra lá, de lá para além-lá, feito gente nos seus melhores e piores dedos, entraves, momentos, encontros e despedidas. Um gotejo aqui e ali, mas outro tipo de gotejo num lugar da casa vai trazendo à cena o verso do português Eugênio de Andrade (Prêmio Camões 2001), decifrando a lágrima: " a breve arquitetura do choro ." Darlan M Cunha

<ímã>

A aldeia tem suas travas, e também seus vasos comunicantes, ou veias, a aldeia pulsa igual e diferente todos os dias, igual e diferente, atraindo todos os graus da vontade consciente e da curiosidade, as aldeias transformaram-se em monstrópoles e suicidades, e porque vieram para ficar, elas verão o fim do mundo. Darlan M Cunha